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sábado, 27 de junho de 2026

📚🎶 Quando o inglês encontra o Nordeste: o professor paraibano que viralizou ao ensinar idiomas com a própria cultura


🌵 O ensino de inglês ganhou novos contornos na Paraíba graças à criatividade de um professor que decidiu transformar músicas nordestinas em ferramenta pedagógica. A proposta, que une afetividade, identidade cultural e inovação, nasceu do desejo de aproximar os alunos de um idioma muitas vezes visto como distante da realidade deles. Ao trazer canções que fazem parte do cotidiano dos estudantes, ele encontrou uma forma de tornar a aprendizagem mais leve, divertida e, sobretudo, significativa.

🎤 A identidade paraibana do educador atravessa sua prática de maneira natural. Ele leva para a sala de aula expressões regionais traduzidas para o inglês, discute sotaques e reforça que falar uma língua estrangeira não exige abandonar quem se é. Essa postura tem ajudado seus alunos a enxergar o inglês como algo possível, acessível e compatível com suas vivências. O resultado é uma didática que valoriza a cultura local e fortalece a autoestima linguística dos estudantes.

📚 A escolha das músicas que viram material didático segue critérios bem definidos: primeiro, o conteúdo previsto para o bimestre; depois, a afinidade dos alunos com a canção. Para ele, engajamento não se impõe — se constrói. E quando a proposta chega aos estudantes, a reação costuma ser a mesma: risos, surpresa e uma empolgação contagiante para descobrir como o inglês se encaixa na melodia nordestina.

🏫 O professor também reflete sobre os desafios de ensinar inglês no Brasil, especialmente na rede pública, onde muitos alunos não veem utilidade prática no idioma. Para ele, democratizar o acesso passa por mostrar que o inglês não é privilégio de poucos, mas ferramenta de todos. Sua formação em Linguística reforça essa visão: conhecer a realidade dos estudantes é essencial para evitar que eles rejeitem a disciplina.

📱 A viralização de suas aulas nas redes sociais trouxe reconhecimento e motivação. Colegas de todo o país passaram a pedir autorização para usar suas versões musicais, ampliando o alcance da iniciativa. Mesmo com limitações financeiras da escola, ele segue sonhando com novos projetos que unam cultura nordestina e ensino — e promete novidades em breve para quem acompanha seu trabalho.

📸 Fotos: Reprodução Instagram
📱 Instagram: @riltonvianna_



ENTREVISTA

1. Como nasceu a ideia de ensinar inglês usando músicas nordestinas? Sempre usei a música como ferramenta pra ensinar Língua Inglesa, não só pela minha afinidade com ela, mas porque acredito que ela torna a aula com menos cara de aula, e eles acabam interagindo mais e melhor. A ideia de trabalhar músicas que pertencem à nossa cultura foi uma expansão dessa estratégia de aproximar os alunos da língua inglesa utilizando elementos com os quais eles já estavam familiarizados desde sempre.

2. De que forma sua identidade paraibana influencia sua prática pedagógica? Ser paraibano talvez seja uma das coisas de que mais gosto em mim. É a minha identidade. Não é possível deixar isso do lado de fora da minha sala de aula. Eu percebo que isso se materializa quando ensino como seriam algumas expressões do nosso povo em língua inglesa, quando levanto a bandeira de que tá tudo bem a gente falar em inglês com "sotaque brasileiro" e com nosso sotaque paraibano, entre outras coisas das quais eu nem devo ter consciência de que representam o paraibano em mim determinando a minha didática.

3. Como você escolhe quais músicas transformar em material didático? O fator primordial é o conteúdo que está previsto para o bimestre. A partir dele, procuro músicas que possam me ajudar a abordá-lo. O segundo fator é a afinidade dos alunos com a música. Se eu quero engajamento, não posso impor meu gosto, senão não funciona muito bem.

4. Qual foi a reação mais surpreendente de um aluno ao aprender inglês com esse método? A reação de todos eles foi basicamente a mesma: primeiro, o riso; depois, a empolgação pra saber como ficaria o resultado. Me parece que eles encararam como um desafio, e tudo o que foge à proposta tradicional de aula é bem-recebido por eles.

5. Quais são os maiores desafios de ensinar inglês no Brasil hoje? Acho que existem desafios diferentes a depender de que realidade estejamos falando. Na escola particular, os alunos veem utilidade em aprender uma língua estrangeira porque eles têm a possibilidade de viajar pra fora do Brasil, de sonhar com uma profissão na qual o inglês poderá ser uma ferramenta necessária. Na esfera pública, essas perspectivas praticamente não existem, então a gente precisa, primeiramente, convencer os alunos de que aprender uma língua estrangeira — Inglês, no meu caso — não é mais algo restrito às classes privilegiadas. Alguns compram essa ideia, mas a maioria, não. É um trabalho infinitamente mais desafiador.

6. Como você recebeu o impacto das suas aulas viralizando nas redes? Foi muito satisfatório, porque nosso trabalho é árduo, e quase nunca é devidamente reconhecido. Receber mensagens de outros colegas me pedindo autorização para usar em suas escolas a versão que eu criei foi uma alegria à parte. Toda essa repercussão me deu um gás a mais.

7. Qual é o papel das redes sociais no ensino de línguas atualmente? As redes endossam nosso discurso de que não é preciso viajar pra fora do Brasil para "precisar" saber inglês ou qualquer outra língua estrangeira, porque elas aproximam os alunos da realidade de criadores de conteúdo de outros lugares do mundo. Além disso, existem diversos professores que usam as redes para ensinar inglês de forma lúdica e com certas ferramentas que não são possíveis na dinâmica da sala de aula.

8. Como sua formação em Linguística e Ensino orienta suas escolhas didáticas? A pesquisa que eu desenvolvi no mestrado compreendeu o fenômeno da variação linguística no português brasileiro e como ele é tratado no âmbito escolar, o que me levou a entender como o ensino de uma língua que não considera a realidade dos alunos pode fazê-los literalmente odiar a disciplina que se propõe a ensinar aquela língua. Conhecer a realidade dos meus alunos e respeitar tudo o que envolve essa realidade me ajuda a pensar em estratégias que realmente funcionem para e com eles.

9. Você sente que seu trabalho ajuda a democratizar o acesso ao inglês? Acho que sim. Acredito que fazer com que a língua inglesa seja usada por eles sem a sensação de que estão fazendo isso por uma obrigação escolar é uma forma de fazer com que mais estudantes acabem gostando mais do idioma.

10. Que novos projetos você sonha desenvolver unindo cultura nordestina e ensino? Olha, eu tenho muitas ideias, e, felizmente, tenho turmas que, quando digo "let's go?", respondem "LET'S GO!!!". Mas minha escola enfrenta problemas financeiros herdados de outra administração, o que limita bastante a concretização de projetos mais ousados. No momento, opero com os poucos recursos que temos. Mas tenho algo saindo do papel em breve, que espero poder compartilhar com você e com todas as pessoas que me acompanham nas minhas redes.