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domingo, 28 de junho de 2026

☕ Quando o Café Vira História: A Reinvenção de Rose Maria no Litoral Sul


☕ A trajetória de Rose Maria (na foto sentada) ganhou novos contornos quando, após mais de três décadas no Jornalismo, ela percebeu que era hora de construir outro território profissional. A decisão não foi abrupta, mas fruto de uma inquietação que cresceu com o tempo. O desejo de criar algo mais autoral e próximo das pessoas se tornou cada vez mais forte. Foi então que o café entrou em cena como extensão natural de sua forma de ver o mundo. Assim nasceu a Dona Café, espaço onde histórias continuam sendo contadas — agora ao redor de uma xícara.

👀 A experiência jornalística de Rose molda profundamente a identidade da cafeteria. A escuta atenta, aprendida nas redações, se transformou em base para o atendimento. Observar gestos, silêncios e ritmos dos clientes virou parte essencial da rotina. Para ela, acolher é mais do que servir bem: é perceber quem chega e respeitar sua história. Cada detalhe — das palavras ao ambiente — nasce dessa sensibilidade. Na Dona Café, o cliente não é apenas consumidor, mas alguém que traz narrativas consigo.

🌊 Empreender no litoral trouxe desafios e aprendizados únicos. São José da Coroa Grande tem um ritmo próprio, marcado por moradores, turistas e viajantes que cruzam a PE-60. A cafeteria precisou nascer com identidade local, adaptada à baixa temporada e aos dias de chuva. Rose descobriu que empreender fora da capital exige paciência, fé e determinação. Ao mesmo tempo, encontrou beleza no vínculo com a comunidade. Conhecer clientes pelo nome e acompanhar suas histórias se tornou parte da essência da casa.

🍰 A curadoria do cardápio da Dona Café segue o princípio de que nada está ali por acaso. O café é 100% arábico, mineiro e escolhido com cuidado para representar a proposta da casa. A gastronomia afetiva é conduzida por Joelma Melo (em pé na foto), sócia de Rose, que cozinha de forma artesanal. Suas receitas carregam memórias familiares, aprendidas com avós e mãe, e influenciadas pelo avô que foi dono do Hotel Central de Toritama. Cada doce, bolo e torta traz afeto como ingrediente principal.

⏰ A nova rotina é diferente do jornalismo, mas igualmente intensa. Se antes a pressão vinha do deadline, agora vem do atendimento rápido e de qualidade. O prazer está em ver clientes voltando, elogiando e escolhendo a Dona Café como ponto de encontro. O desafio maior é a gestão diária: olhar para produto, compra, estoque, atendimento e finanças simultaneamente. Empreender exige equilíbrio constante e disposição para aprender todos os dias.

💬 A Dona Café se tornou, para Rose, uma espécie de “redação afetiva”. Histórias chegam diariamente, vindas de moradores, turistas, amigos e viajantes. Alguns conversam, outros permanecem em silêncio, mas todos compartilham algo. Para ela, isso confirma que comunicação é relação. Em um mundo acelerado, criar um espaço de pausa e acolhimento é também comunicar valores. A cafeteria mostra que as pessoas querem ser vistas, ouvidas e reconhecidas.

✨ Para quem deseja mudar de área, Rose aconselha: não despreze sua história. A comunicação oferece um patrimônio valioso, com habilidades essenciais ao empreendedorismo. Mas é preciso humildade para aprender uma nova operação e disciplina para sustentar uma boa ideia. Fé e coragem também fazem parte do caminho. Para o futuro, a Dona Café quer se consolidar como referência no Litoral Sul, criar produtos próprios e colocar cadeiras na calçada para que os clientes apreciem o pôr do sol. Para trás, nem para pegar impulso.

📸 Fotos: Divulgação Dona Café

SERVIÇO
Dona Café
Endereço: São José da Coroa Grande – PE
Funcionamento: Terça a domingo, das 14h às 21h
Instagram: @cafeteria_dona_cafe


ENTREVISTA — PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Transição de Carreira — Em que momento você percebeu ser hora de deixar o jornalismo diário e apostar no empreendedorismo, e por que o café se tornou o seu novo território de criação?
“A transição não aconteceu de uma hora para outra. Depois de mais de três décadas no jornalismo, passando por redações, televisão, produção, reportagem e assessoria de imprensa, eu comecei a perceber que precisava construir um novo território de atuação, sem romper com tudo aquilo que formou a minha identidade profissional. O jornalismo diário me ensinou disciplina, urgência, escuta e responsabilidade. Mas chegou um momento em que eu quis transformar essa experiência em algo mais autoral, mais próximo das pessoas e ser independente em horário e financeiramente. O café entrou nesse caminho como uma extensão natural da minha forma de ver o mundo. Dona Café nasceu desse desejo de criar um espaço onde as pessoas se sintam bem recebidas, onde cada detalhe comunique cuidado. Para mim, a cafeteria não é uma ruptura com o jornalismo. Antes eu produzia histórias para a televisão e para os jornais. Hoje, eu continuo trabalhando com histórias, mas em torno de uma mesa, de uma xícara e de uma experiência.”

2. Olhar Jornalístico — De que forma sua experiência como jornalista influencia a identidade e o atendimento da Dona Café?
“O jornalismo me deu uma formação muito profunda em escuta. Quem trabalha em redação aprende a observar o que está dito e o que não está dito. Aprende a perceber gestos, contextos, necessidades e silêncios. Isso influencia diretamente a Dona Café. Acredito que atendimento não é apenas servir bem; é perceber quem chega, entender o ritmo da pessoa, acolher sem invadir e oferecer uma experiência que tenha verdade. A forma como recebemos, a escolha das palavras, a atenção aos detalhes, o cuidado com o ambiente, tudo nasce dessa observação. O cliente não é apenas alguém que consome. Ele chega com uma história, com um motivo, com uma expectativa. E a cafeteria precisa estar preparada para respeitar isso.”

3. Empreender no Litoral — Quais foram os principais desafios e aprendizados ao abrir uma cafeteria em São José da Coroa Grande?
“Empreender no litoral exige uma compreensão muito própria do território. São José da Coroa Grande tem um ritmo diferente da capital, uma relação muito forte com moradores, turistas, viajantes e pessoas que passam pela PE-60 em direção a outros destinos. O desafio é entender essa dinâmica sem tentar impor um modelo pronto de cafeteria. A Dona Café precisou nascer com identidade local, mas se adequando à realidade de São José da Coroa Grande, sobretudo nesse período de baixa temporada, marcada por muita chuva. O maior aprendizado foi compreender que empreender fora da capital exige paciência, fé em Deus e determinação. Ao mesmo tempo, há uma beleza enorme nisso. Você conhece os clientes pelo nome, acompanha histórias, percebe retornos, cria vínculos.”

4. Curadoria do Cardápio — Como você escolhe os grãos, os pratos e os detalhes que compõem a experiência da Dona Café?
“A curadoria da Dona Café parte de uma ideia simples: nada deve estar ali por acaso. O café, os doces, os salgados, as tortas artesanais, a apresentação dos produtos e até a forma de servir precisam conversar com a proposta da casa. O café não é de cápsulas. É 100% arábico, mineiro e de um sabor incrível. A Dona Café trabalha com uma gastronomia afetiva. Joelma Melo – minha sócia – é quem responde pela cozinha. Ela faz tudo de forma bem artesanal. Aprendeu a cozinhar com os avós e mãe dela. O avô dela era dono do Hotel Central de Toritama. Tudo que ela aprendeu na família é utilizado na hora de fazer os doces, bolos, tortas e salgados.”

5. Nova Rotina — O que tem sido mais prazeroso e o que ainda te desafia nesse novo cotidiano? “O ritmo é completamente diferente, mas a intensidade continua. No jornalismo diário, convivemos com deadline, a pressão vem do fechamento, da pauta, dos factuais que não esperam e acontecem a todo instante. Na cafeteria, a pressão é um atendimento rápido, eficiente, com qualidade. Quando alguém volta, elogia, indica ou escolhe a Dona Café como ponto de encontro, eu entendo que a marca começou a criar vínculo. O que ainda desafia é a gestão do cotidiano. Empreender exige olhar para tudo ao mesmo tempo: produto, compra, estoque, atendimento e principalmente finanças.”

6. Relação com o Público — A Dona Café se tornou um novo espaço de histórias? “Sim, completamente. Hoje, nossos clientes chegam a cada dia com novas conversas, histórias, às vezes ficam em silêncio, outras vezes interagem com a gente. São visitas de amigos, moradores, turistas e pessoas que entram apenas para tomar um café e acabam compartilhando um pedaço da vida. Isso é muito bonito porque confirma algo em que sempre acreditei: comunicação é relação. A cafeteria me mostra, todos os dias, que as pessoas querem ser bem tratadas, ouvidas e reconhecidas. Em um mundo tão acelerado, criar um lugar onde alguém possa fazer uma pausa e se sentir acolhido é também uma forma de comunicar valores.”

7. Conselhos e Futuro — Que conselho você daria a outros profissionais da comunicação que desejam mudar de área, e quais são os próximos passos da Dona Café?
“O conselho que eu daria é: não despreze a sua história. Muitas pessoas consideram que mudar de área significa começar do zero, mas não é verdade. A experiência acumulada na comunicação é um patrimônio enorme. Quem vem do jornalismo sabe ouvir, apurar, organizar informações, lidar com crise, entender público e trabalhar sob pressão. Tudo isso é extremamente valioso no empreendedorismo. Mas também é preciso ter humildade para aprender uma nova operação. Empreender exige planejamento, coragem, disciplina e disposição para fazer o que precisa ser feito. Não basta ter uma boa ideia. É preciso sustentar essa ideia com gestão, presença e coerência. Mas, acima de tudo, quem me conhece sabe que é preciso ter muita fé e apostar no futuro. Eu jamais desistiria do meu sonho de ter uma cafeteria simplesmente porque todo mundo tem café em casa. Para os próximos anos, a Dona Café quer se consolidar como uma marca de referência em São José da Coroa Grande e cidades vizinhas do Litoral Sul do Estado. O objetivo é cuidar da marca, criar produtos próprios, colocar cadeiras na calçada para os clientes verem o pôr do sol e seguir em frente. Para trás, nem para pegar impulso.”