05/04/2019

Chuvas no Piauí com mortos e desabrigados

Duas pessoas morreram na noite desta quinta-feira (4) após uma lagoa de um clube desativado transbordar com a chuva, romper a rua do terreno, que funcionava como dique, e atingir casas no bairro Parque Rodoviário, Zona Sul de Teresina.

De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, os mortos são Maria das Graças Bacelar de Holanda, de 70 anos, e uma criança de 4 anos, identificada apenas como Josiel.


Maria e o marido, Manoel dos Reis Pires, estavam em casa quando o acidente aconteceu. “Isso nunca tinha acontecido por aqui. Nem alagava naquela região e quando foi ontem, aconteceu isso. Só quero saber onde está minha esposa e onde vai ser o velório e o enterro", disse Manoel dos Reis ao G1.

Segundo o Corpo de Bombeiros, ao menos 40 casas foram atingidas pela água e pelo menos 30 pessoas ficaram feridas.

Atendimento médico

Os feridos foram levados para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT) e para outras unidades de saúde da capital. De acordo com o secretário Samuel Silveira, alguns dos atingidos foram por conta própria para alguns hospitais de Teresina.

O Hospital de Urgência de Teresina (HUT) informou que 11 pessoas deram entrada na unidade de saúde pela noite e a maioria das pessoas tiveram ferimentos leves e já receberam alta médica. Duas pessoas permanecem no local: um homem de 58 anos e um menino de 4 anos.

Segundo o HUT, Edimilson Pereira Lima, de 58 anos, teve uma fratura no fêmur e traumatismo craniano considerado leve. Já um menino, de 4 anos, teve escoriações pelo corpo e permanece na unidade de saúde em observação.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) montou uma base de atendimento no Hospital de Urgência para tentar desafogar a demanda no local, mas não informou quantas pessoas receberam atendimento.

Chuva forte

Segundo o climatologista Werton Costa, na noite dessa quinta-feira (4) foram registrados 63 milímetros de chuva em Teresina. O especialista disse ao G1 que choveu o volume correspondente a 24.9% do esperado para todo o mês de abril em poucas horas.O major José Veloso, do Corpo de Bombeiros, explicou que o acúmulo de água em uma lagoa dentro de um clube abandonado causou o desastre. “Lá a água era barrada por uma estrada que dava acesso ao clube, mas com o aumento da quantidade de água e a falta de escoamento a lagoa acabou transbordando e a estrada não aguentou e rompeu”, explicou.

“A água então seguiu seu fluxo natural e arrastou as casas que foram construídas em uma área de leito”, completou o major Veloso.

Desabrigados

A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) confirmou que há desaparecidos e desabrigados, mas ainda não divulgou nenhum balanço oficial.

Segundo o órgão, desabrigados foram levados para a Igreja do bairro Morada Nova, também na Zona Sul da capital. O local serve como ponto de arrecadação de roupas e mantimentos.

A secretaria também informou que até o fim da manhã desta sexta-feira estava previsto o envio de kits de limpeza e cesta básica para os moradores que foram afetados.

Água represada

A água da enxurrada que atingiu as casas do bairro Parque Rodoviário ficava represada dentro do terreno de um clube desativado, localizado próximo ao local. O clube fica em um terreno elevado, mais alto que as casas, o que contribuiu para a força da enxurrada que caiu sobre os moradores durante a noite de quinta.

"Há alguns dias, por trás da rodoviária de Teresina, vinha se formando uma lagoa com a água das chuvas por conta do terreno irregular. Essa água foi se acomodando no muro do Clube da Telemar, que não resistiu. Com o rompimento a água desceu rumo ao rio Poti e levou tudo que tinha pela frente", informou a prefeitura.

O técnico da Defesa Civil Sebastião Domingos explicou que o local é uma passagem natural da água da chuva. "Foi feito um sistema de galeria para dar vazão àquela lagoa, só que houve o rompimento da rua, que funcionava como um dique. Como ela ficava dentro de um terreno privado, não se tinha visualização dessa lagoa", disse Sebastião.

As casas do Parque Rodoviário são de alvenaria, mas foram construídas em um terreno irregular e acidentado, em uma ladeira. De acordo com o técnico Sebastião Domingos, apesar de ser uma área de risco, as casas foram construídas no local. "Pouquíssimas casas por lá eram de taipa, a maioria era de tijolo mesmo. Tanto que algumas perderam paredes, mas mantiveram o restante da estrutura", disse.

Portal G1