terça-feira, 17 de abril de 2018

Música e feminicídio: a romantização de um crime

A música costuma idealizar e romantizar situações da vida real. Aí mora o perigo. A praga do feminicídio (que só virou lei federal há poucos anos, mais precisamente em 2015), além de não ter a devida atenção dos homens e de muitas mulheres ( "morre mais homem do que mulher!" "por que não existe uma lei assim para os homens?" "é um crime hediondo, mas não foi porque ela é mulher", entre outras baboseiras escritas em comentários de portais de notícias), agora virou objeto de romantismo, através de músicas, seja a atual Noiva Cadáver (Banda Kamaitachi) ou a clássica My Mistake (Pholhas), que, pasmem, vem embalando romances(!!!) desde a década de 1970. Analisem as letras de ambas as canções a seguir.

Noiva Cadáver
(Kamaitachi)

Eu te abraço
Como se você estivesse viva
Eu danço com seu corpo nessa noite sempre fria

Vamos escutar um Tom Jobim
Cantando junto com Elis
Enquanto você olha pra mim
A lua vem pra assistir
Nós dois, nós dois

Dançando muito sem parar
Sem se preocupar
A lua tão brilhosa que reflete a nebulosa
No seu olhar
E seu olhar

Tão fixado nos meus olhos
Que meus olhos não param de admirar
E adimirar
Que mesmo estando morta sua beleza continua aqui
No mesmo lugar

Todo mundo procurando minha menina
Minha casa rodeada de polícia
Todo mundo procurando minha menina
Minha casa rodeada de polícia
Todo mundo procurando minha menina
Minha casa rodeada de polícia
Todo mundo procurando minha menina
Minha casa rodeada de polícia

A minha menina é um anjo
Só fiz questão de devolver pro céu

Pra tentar livrar desse mundo sujo, imundo
Pra tentar livrar desse mundo tão cruel

A minha menina é um anjo
Só fiz questão de devolver pro céu

Pra tentar livrar desse mundo sujo, imundo
Pra tentar livrar desse mundo tão cruel


My Mistake
(Pholhas)

There was a place that I lived (Havia um lugar onde morei)
And a girl, so young and fair (E uma garota tão jovem e faceira)
I have seen many things in my life (Eu vi muitas coisas em minha vida)
Some of them I'll never forget (Algumas delas, jamais esquecerei)Everywhere... (Em todo lugar que vou)

I was sent to prison (Eu fui mandado para a prisão)For having murdered my wife (Por ter assassinado minha esposa)
Because she was living with him (Porque ela estava saindo com outro)
I lost my head and shot her (Eu perdi a cabeça e atirei nela)

I was sent to prison (Eu fui mandado para a prisão)
For having murdered my wife (Por ter assassinado minha esposa)
Because she was living with him (Porque ela estava saindo com outro)
I lost my head and shot her (Eu perdi a cabeça e atirei nela)

This was my story in the past (Esta foi minha história no passado)
And I'll go to reform myself (E eu vou me reformar)I am paying for my mistake (Eu estou pagando por meu erro)
I will never be the same man again (E jamais serei o mesmo homem novamente)


Por que não devemos romantizar o Feminicídio JAMAIS???
A cada dia, 12 mulheres são assassinadas no Brasil. São 4.473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios, ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Trata-se de um aumento de 6,5% em relação a 2016, quando foram registrados 4.201 homicídios (sendo 812 feminicídios). Isso sem contar o fato de alguns estados ainda não terem fechado os dados do ano passado, o que pode aumentar ainda mais a estatística. (Fonte: Portal G1)

O levantamento revela que:

  • O Brasil teve 4.473 homicídios dolosos de mulheres em 2017 (um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior)
  • Do total, 946 são feminicídios (dado considerado subnotificado)
  • Em 2015, 11 estados não registraram dados de feminicídios; em 2017, três ainda não tinham casos contabilizados
  • Rio Grande do Norte é o que tem o maior índice de homicídios contra mulheres: 8,4 a cada 100 mil mulheres
  • Mato Grosso é o estado com a maior taxa de feminicídio: 4,6 a cada 100 mil
Desde 9 de março de 2015, a legislação prevê penalidades mais graves para homicídios que se encaixam na definição de feminicídio – ou seja, que envolvam "violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher". Os casos mais comuns desses assassinatos ocorrem por motivos como a separação.



Com informações do Portal G1, do Portal Letras.Mus e do Palácio do Planalto